De jovens carentes a chefs internacionais

Data
01-08-2012
Categoria
Brasil
Tema

O sonho da niteroiense Rosana Conceição, hoje com 23 anos, era ser dentista. Ela chegou a prestar vestibular, passou para a segunda fase, mas engravidou e desistiu do concurso.

Tempos depois, se aventurou como assistente em um consultório. Descobriu que ali não era a sua praia. Em casa, Rosana sempre dividiu as tarefas domésticas com o irmão. Ele fazia faxina, ela cozinhava. Até que começou a fazer salgados para incrementar o orçamento. Deu certo. Há dois meses, ela entrega refeições para 15 operários de um obra próxima. Acorda todos os dias às 5h para preparar duas opções diárias de prato.

O que era apenas um quebra-galho, virou a principal fonte de renda da família. Faltava, porém, a qualificação necessária para investir na profissionalização do negócio. Um obstáculo com os dias contados. Rosana foi uma dos 20 jovens selecionados para participar do projeto “Jovens na Cozinha”. Um curso de cozinheiro internacional, promovido pela Unilassale – instituição de ensino superior de Niterói – em parceria com o Grupo Gas Natural Fenosa. Todo os alunos têm entre 17 e 25 anos e pertencem a famílias com renda familiar de até três salários mínimos.

O “Jovens na Cozinha” faz parte do programa “Dia Solidário”, criado pelos colaboradores do Grupo para financiar projetos sociais. Ele consiste em arrecadar anualmente um dia do salário dos colaboradores e destiná-lo a projetos voltados para a formação de jovens de baixa renda. O valor arrecadado é dobrado pela empresa. Entre os países que se beneficiaram com o projeto estão Colômbia, México, Bolívia, Quênia, Moçambique, entre outros.

Por aqui, o projeto escolhido visa a formar profissionais aptos a atuar no mercado de alimentos e bebidas. Um setor que, segundo pesquisa feita pela própria Unilassale, é um dos mais aquecidos da economia local. Dividido em quatro módulos, o curso oferece tanto disciplinas voltadas para a formação pessoal, como ética e postural profissional; quanto técnicas e práticas de gastronomia, básica e avançada. As aulas começaram no último dia 7 e seguem até maio de 2013.

- Buscamos incorporar ao perfil do curso conceitos que hoje são tendências marcantes na gastronomia internacional, tais como a sustentabilidade, uma visão ampla de alimentação saudável, e a consciência da responsabilidade de um cozinheiro com a preservação e a promoção da cultura gastronômica brasileira – explica a coordenadora do projeto, Beatriz Vasconcellos Dias.

Os alunos selecionados têm, em comum, a paixão pela gastronomia. Quase todos assumiram, ainda bem novos, a cozinha de suas casas ou de seus patrões:

- Aos 14 anos, já cozinhava fora e dentro de casa. Posso dizer que sempre estive à beira do fogão e, quando soube do curso, resolvi agarrar essa oportunidade. Tinha certeza de que seria escolhida. Agora, pretendo me empenhar ao máximo”.

Mas também há exceções, como é o caso de Jonas Alves, de 19 anos:

- Eu não gostava de cozinhar, até que minha mãe me colocou num grupo de escoteiros. Como as viagens eram frequentes e ninguém cozinhava bem, resolvi me aventurar. Acabei tomando gosto e passei a pesquisar receitas saborosas, de baixo custo e com alto valor nutritivo.